Jorge Pinto com "mobilização intensiva" nas redes sociais, Marques Mendes com a "menor tração digital"

A análise de dois professores do IPAM incidiu sobre 2.104 publicações nas redes sociais Facebook, Instagram e TikTok por oito candidatos: André Ventura, António Filipe, António José Seguro, Catarina Martins, João Cotrim de Figueiredo, Henrique Gouveia e Melo, Jorge Pinto e Luís Marques Mendes.

Joana Raposo Santos - RTP /
Foto: André Kosters - Lusa

O candidato presidencial apoiado pelo Livre, Jorge Pinto, é o "exemplo mais evidente de mobilização intensiva" nas redes sociais, enquanto Luís Marques Mendes, apoiado pela Aliança Democrática, tem a "menor tração digital". A conclusão é de um estudo do IPAM - Instituto Português de Administração de Marketing, segundo o qual os candidatos a Belém têm apostado na relação com os seguidores em detrimento da conquista de novos eleitores.

“Em dezembro observámos duas estratégias claras: uma mais emocional, orientada para o alcance, e outra mais política, focada na mobilização interna. No entanto, nenhuma delas teve como objetivo central convencer novos eleitores”, sublinhou João Andrade Costa, coautor do estudo e professor do IPAM.

Segundo esta análise, a comunicação emocional é a que gera maior volume de reações, alcance e partilhas nas redes sociais, enquanto os conteúdos de visão política tendem a alcançar menos pessoas, mas estimulam comentários mais longos e politizados.

“Jorge Pinto é o exemplo mais evidente de mobilização intensiva”, apontam os autores. “Com uma média de engagement de 41,2 por cento, a mais elevada do estudo”, o candidato apoiado pelo Livre “construiu uma relação muito intensa com uma comunidade reduzida, mas fortemente identificada do ponto de vista ideológico”.



João Cotrim Figueiredo, apoiado pela Iniciativa Liberal, “consegue combinar exposição e envolvimento”. Com um engagement médio de 11,6 por cento, posiciona-se como um dos candidatos com “melhor equilíbrio entre escala e intensidade da relação com o público”, apostando na competição sem depender exclusivamente da polarização. A análise incidiu sobre 2.104 publicações, recorrendo a técnicas de análise de conteúdo e Natural Language Processing (NLP).

O candidato do Chega, André Ventura, “lidera de forma destacada em termos de escala”, já que as 372 publicações analisadas geraram mais de 5,5 milhões de interações, o valor absoluto mais elevado do estudo.

“No entanto, o engagement médio fica-se pelos 1,9 por cento, o mais baixo entre os candidatos, revelando uma relação menos intensa com audiências amplas, heterogéneas e fortemente polarizadas”, explicam os autores, o que aponta para “uma mobilização sustentada no conflito, eficaz para amplificação, mas menos consistente na construção de envolvimento”.

Os candidatos de esquerda António Filipe e Catarina Martins apresentam padrões semelhantes de comunicação ideológica. O comunista “mobiliza de forma estável públicos politicamente alinhados, ainda que com alcance limitado”, enquanto a bloquista se apoia “numa comunidade coesa, mas de menor dimensão”.

O almirante Henrique Gouveia e Melo destaca-se pelo volume de atividade, com 400 publicações em dezembro, “refletindo uma comunicação marcada por visibilidade institucional e proximidade social, mas com fraca coesão relacional e menor ativação emocional”.

O socialista António José Seguro apresenta, por sua vez, “uma presença digital regular e pouco polarizadora”, apostando numa “narrativa de estabilidade e confiança, sem picos de viralidade, mas com envolvimento consistente ao longo do mês”.

Luís Marques Mendes surge como o candidato com menor tração digital. Apesar de 226 publicações, o engagement médio não ultrapassa os 4,9 por cento, com cerca de 141 mil interações, o que indica dificuldades na mobilização da audiência e na criação de uma relação digital significativa”, refere o estudo.



Segundo esta análise, a comunicação política digital em dezembro funcionou sobretudo “como um espaço de relação e de reforço identitário, e não como um espaço de debate público ou de persuasão eleitoral”, resumiu o coautor Luís Bettencourt Moniz.

João Andrade Costa, destacou que, em dezembro, “quem apostou na emoção ganhou alcance; quem apostou na política ‘pura e dura’ ganhou coerência, mas não escala”.
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